_____Com certa surpresa me deparei com um senhor próximo á estação de trem, vendendo uma boa quantidade de condimentos. Dos vendedores que eu tenho em memória, só faltava o avental branco, e talvez uma boa disposição (na segunda vez que passei, pelo menos o avental encontrei). O homem estava visivelmente desanimado, ou pensativo. Mas ele tinha a tradicional maquininha de moer pimenta, canela ou o que mais vendia, e na hora de atender, demonstrava boa vontade.
_____Uma mesa de madeira era o que sustentava a dezena de potes com temperos. Potes, aliás, que me lembraram aqueles cestinhos que podem ser usados para lixo de cozinha, sem nenhum tipo de vedação, o que seria ótimo ter no caso do tempero, para não perder muito do aroma. Também tinha produto que fugia um pouco do tradicional tempero “artesanal”, digamos assim, como o alho, devidamente embalado e carregando a marca de um fabricante do gênero.
_____Para compor o local, um guarda-sol sustentado por uma lata de concreto e uma cadeira de plástico para o próprio vendedor descansar (ou refletir). Em baixo da mesa amontoam-se pedaços de madeira, sacos plásticos, e engradados sem divisões internas. Imagino que tudo isso deve ser para a locomoção do vendedor para seu lar.
O tempo de espera para obter o tempero varia de acordo com a quantidade que o cliente pede, e claro, com a fila de pessoas. Sem ninguém na espera e um tempero apenas, o processo não dura muito mais que cinco minutos. O homem mói, passa o condimento para um estreito saco plástico por um funil, também de plástico – uma boca de uma garrafinha cortada -, e entrega tudo em uma sacola/saco de papel. Não tem nenhum tipo de personalização, marca aparente, cores próprias ou nome. O vendedor também não usa luvas, se bem que por sua prática, nem toca no tempero.
_____Para aqueles que como eu não lembravam onde poderiam encontrar aquele ingrediente moído na hora, vale a pena passar próximo á estação e tirar um pouco o vendedor de seu momento de meditação por um real, cinco colheres.
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