quarta-feira, 23 de setembro de 2009

BATATA FRITA por Frank

Próximo a estação encontra-se o casal trabalhando para vender a batata. Ela, sentada num banquinho, descasca as batas de coloração avermelhada – dizem que é mais seca e, portanto, melhor para fritar – tirando-as de um saco grande e depositando as cascas em uma bacia preta para depois jogar fora no lixo do terminal de ônibus. Ele, não muito longe, fica encarregado de pegar as leguminosas de um balde grande, daqueles que freqüentemente é usado como lixo, já descascadas e fritá-las.
_____Uma alternativa nada saudável para aqueles que possuem problemas com alto teor de gordura, uma vez que lá pela hora do almoço, o óleo da bacia de fritura e da pequena máquina ao lado já estava quase preto, de tão escurecido. Ainda assim me prontifiquei a pagar dois reais por uma porção e servir de marketing por alguns minutos, afinal, a barraquinha não conta com nenhum tipo de cartaz, placa, nome, ou propaganda; é tudo simples e objetivo. Você é quem serve de ferramenta de propaganda. Constatei que não tinha nenhuma fila quando cheguei, mas assim que parei ao lado para comer, pelo menos três pessoas já se encontravam na fila de espera.

_____O carrinho é básico, branco, com suporte para a bacia maior de fritura e a máquina que conta com dois compartimentos também de fritura. O vendedor não usa nenhum tipo de uniforme, exceto por um avental da mesma cor das cascas das batatas, pelo que pude perceber, mas acredito que seja pura coincidência. Quanto á higiene, notei o uso de um boné, mesmo sabendo que não é eficiente como uma touca, e uma luva plástica na mão esquerda. A direita, serve para receber o dinheiro e devolver o troco, quando é o caso.
_____O processo de preparo é rápido e atende muito bem a demanda do tipo “pop-up”. O “chef” pega as batatas do balde, coloca no instrumento metálico capaz de cortá-la em palitos e depois passa para o compartimento elétrico, enquanto já existe uma porção fritando na bacia á gás. Retirada a porção da bacia á gás, o conteúdo da parte elétrica é transferido em seu lugar, e o que foi tirado é colocado numa metade de embalagem normalmente usada para lanches, de isopor. Antes que o vendedor complete a embalagem, pergunta se vai sal na metade, e se for o caso, ele coloca um pouco de sal no meio e depois oferece o saleiro para que o cliente coloque em cima, à gosto. Como condimento, a barraquinha oferece ketchup, mostarda, maionese, queijo parmesão ralado e orégano, sem contar com o sal, claro. A falta de refrigeração de alguns desses temperos não é um ponto positivo, mas há quem não se preocupe com isso.
_____Falando de sabor, não difere em nada do sabor da própria leguminosa. Claro que adicionando um pouco de queijo (que foi o que fiz) é capaz de tornar a porção mais saborosa. Em termos de quantidade é o suficiente para enjoar, à menos que batatas sejam seu prato predileto, e não encher. Em pouco menos de cinco minutos, você consegue sua porção e come, tranquilamente, observando o emaranhado de fios que se desloca da barraca e repentinamente se liga à fiação do terminal de ônibus. Mas ai já são outras implicações. Ou então pode pedir para viajem, e a porção é colocada numa embalagenzinha de isopor inteira, com tampa, e não só na metade.
_____Infelizmente não conta com nenhum guardanapo e para comer, você deve usar um palito de dente, ou mais. Seria ótimo se contasse com garfinhos de plástico! Não vende nenhum tipo de bebida e se der sede, como me deu depois de comer toda a porção, só indo para algum estabelecimento próximo para matá-la. Para os amantes de batatas, e só batatas, vale a pena. Aos demais mortais, talvez seja melhor andar até uma próxima barraquinha.

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